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1968, o ano que não terminou!

Há 50 anos a França, e o mundo, vivia o chamado “ano que não terminou”, 1968. Naquele ano diversos eventos e acontecimentos explodiram mudando a rota da história, que influenciaram o final do século XX e que ecoam até hoje. O Maio Francês foi um evento emblemático, exemplo histórico para lutadoras e lutadores.

Após a segunda guerra mundial o mundo vivia a Guerra Fria, com dois polos no centro, Estados Unidos e União Soviética. Na década de 60 também houve aumento no número de jovens, devido ao baby-boom ,1946-1964, pós guerra. E foi essa juventude que começou a rebelar-se por liberdade, igualdade de direitos, contracultura e mudanças no regime político. O contexto histórico de 1968 era propício para revoluções, o mundo estava em ebulição!

Em 68 a guerra do Vietnã vivia seus piores momentos, e protestos pediam a saída dos EUA da guerra. Ainda em 68, em abril, o líder negro Martin Luther King foi assassinado. No Brasil o decreto do Ato Institucional n°5 foi sancionado pelo regime, em março o estudante secundarista Edson Luís foi assassinado, o que ocasionou um levante no Rio de Janeiro com a Marcha dos 100 mil.

A França passava por processos histórico-econômicos importantes, acabara de perder as colônias na Ásia e África, e mesmo com a economia em crescimento, a revolta era por mudanças sócio-políticas no país. Os movimentos de 68 iniciaram com protestos dos estudantes por reformas nos setores educacionais, os impulsionadores dessa onda estavam na Universidade de Paris, em Nanterre, em março os estudantes ocuparam o prédio da universidade, esse movimento foi uma das faíscas de maio. Já em 2 de maio a decisão da reitoria foi de ameaçar de expulsão os estudantes, a medida truculenta provocou reações em outras universidades como em Sorbonne, em Paris. Os estudantes ocuparam Sorbonne, e o governo reprimiu com violência, fechando a universidade.

Vários protestos dos estudantes se intensificaram pelo país. Um dos mais emblemáticos foi o confronto dos 13 mil jovens e a polícia, que com gás lacrimogêneo tentavam dispersar os jovens. As ruas parisienses viveram dias de barricadas, e devido as ações violentas do governo o apoio popular aos estudantes aumentou.

Com o aumento do apoio aos estudantes, os operários se uniram aos universitários e movimentos de esquerda, e os protestos cresceram. E em 13 de maio a França promove a maior greve geral da história da Europa, com milhares de estudantes, e milhões de trabalhadores franceses. As greves radicalizaram-se e mexeram com as estruturas do regime, do governo de Charles De Gaulle, e em junho de 1968 aconteceram eleições parlamentares antecipadas.

Maio de 68 também trouxe inovações na forma de mobilização e comunicação entre os jovens, como panfletos com slogans como “É proibido proibir”, inspiração para uma música de Caetano Veloso, “O poder está nas ruas”. Essas inovações são nossas inspirações até hoje, e nos influenciam na luta contra o regime vigente.

50 anos depois a juventude ainda acredita que o poder está nas ruas! As mobilizações de junho de 2013 que levaram milhares de estudantes e trabalhadores às ruas do país é um exemplo de que 68 não acabou. A primavera das mulheres, as ocupações das escolas e universidades por todo país, usando como exemplo o método dos estudantes franceses, a maior greve geral da história do nosso país, em abril de 2017. E no levante de indignação que levaram milhares as ruas do Brasil em março, com o assassinato de Marielle Franco e Anderson, exigindo justiça para Marielle, 50 anos depois da Marcha dos 100 mil no Rio de Janeiro. Essa chama segue viva no coração dos revolucionários, dos estudantes e trabalhadores que não saem das ruas, em busca de saídas para crise que vivemos, lutando contra o regime político que tem os poderosos no poder, construindo o poder juvenil, colocando os 99% no centro. Jean-Paul Sartre, tempos depois, diz que “nunca pude entender o que aqueles jovens queriam”, mas pra nós essa reposta já existe, eles só queriam mudar o mundo, e nós também.


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